Fiocruz pede atenção para licitação de leitos em face do avanço da Ômicron | Agência Brasil

O Boletim do Covid-19 Observatório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ainda sem acesso a bases de dados utilizadas para o monitoramento de casos e óbitos por covid-19 no país, concentrou sua mais recente análise sobre a ocupação de leitos de UTI (Unidade de Cuidados Intensivos) e destacou em edição publicada hoje (7) que é preciso atenção a este indicador, diante do rápido avanço da variante Ômicron do novo coronavírus. imagem08-01-2022-09-01-16

Os pesquisadores da Fiocruz apontam que a disseminação da nova variante soma-se à epidemia de gripe causada pelo H3N2 e à grande circulação de pessoas durante as festas de fim de ano. “Todos esses elementos contribuem para impactar negativamente a dinâmica da pandemia e a capacidade de enfrentamento, com impactos na saúde da população e no sistema de saúde”, avaliam.

No boletim desta semana, a Fiocruz realizou apenas a avaliação das taxas de ocupação de leitos de UTI em cada estado e capital, indicando que houve um aumento relevante no número de estágios, em comparação com 20 de dezembro do ano passado.

Apesar da piora, os pesquisadores explicam que a porcentagem de ocupação de leitos neste momento não pode ser comparada aos dos piores momentos da pandemia, porque tem ter sido uma redução do número de vagas para pacientes severos desde que a vacinação trouxe um melhor cenário epidemiológico.

” Ainda é cedo, desta forma, para afirmar que há uma nova pressão sobre os leitos da UTI, com base apenas nos dados disponíveis e apresentados aqui. Enquanto isso, cabe manter a atenção sobre a evolução do indicador, ” o boletim adverte.

Estados

Entre os estados brasileiros, quatro encontram-se na zona de alerta intermediário, com mais de 60% dos leitos ocupados: Pará (67%), Tocantins (62%), Pernambuco (79%) e Alagoas (68%). Já quando a análise se concentra nas capitais, Fortaleza (85%), Maceió (85%) e Goiânia (97%) chegam à zona de alerta crítico, com mais de 80% de leitos ocupados. O boletim acrescenta que Palmas (66%), Salvador (62%) e Belo Horizonte (73%) estão na zona de advertência intermediária.

A Fiocruz pesa que, embora a variante Ômicron esteja associada a casos mais leves de covid-19, sua grande transmissibilidade pode causar um aumento abrupto dos casos, o que poderia onerar os sistemas de saúde e ser um obstáculo ao tratamento rápido e em tempo hábil dos pacientes.

” Além disso, é importante ressaltar que a situação de recrutamento de pandemia, sem dados epidemiológicos disponíveis para apreciação do que está ocorrendo e estimação das tendências, é gravíssima, ” o boletim diz. “O enfrentamento de uma pandemia sem os dados básicos e fundamentais pode ser comparado à condução de um carro em uma neblina, com pouca visibilidade e sem saber o que se pode encontrar à frente”.

Dados

O Ministério da Saúde disse em nota que em dezembro foi restabeleida as plataformas e-SUS Notifications, Sivep-Gripe, SI-PNI e Connecte SUS, possibilitando a inclusão de dados por estados e municípios. Alguns dos dados divulgados podem não aparecer nos sistemas ” interfaces, no entanto, todas as informações podem ser registradas por gerentes locais e assim que a integração de dados for restabeletada, os registros poderão ser acessados pelos usuários.

Cabe destacar que o Departamento de Informática (Datasus) do SUS segue atuando para restabelecer as demais plataformas e integradores gradativos, com previsão de normalização para janeiro.

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