MPF vai sondar acidente que destruiu dois casarões de Ouro Preto | Agência Brasil

Poucas horas depois que parte do Morro da Forca desce e destrói duas construções na Preto de Ouro Preto (MG), o Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da ocorrência. imagem13-01-2022-20-01-19

Em nota, o MPF justificou a iniciativa citando os “evidentes danos ao patrimônio cultural”, como parte do conjunto arquitetônico municipal é tomado por o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e está inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

“O MPF vai apurar as circunstâncias em que o fato se deu e solicitar esclarecimentos aos órgãos envolvidos na tutela dos bens citados quanto ao motivo do incidente, dimensão do dano e seus efeitos”, disse o MPF em nota.

O MPF quer que a prefeitura relatava se há, em Ouro Preto, outros imóveis em risco iminente de serem atingidos por novos deslizamentos de terra ou colapsos e que convênios o município está adotando para impedir que ele ocorra. Já do Iphan, os procuradores esperam receber um parecer sobre a extensão dos danos culturais causados pelo acidente de quinta-feira, bem como uma relação das construções históricas em risco na cidade e que medidas já foram adotadas para proteger o conjunto arquitetônico local.

Um dos edifícios destruídos esta manhã foi um caseiro de 19 anos, o Solar Baeta Neves. Segundo o Iphan, o imóvel integrou o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto, mas estava interditado desde 2012, quando foi atingido por um deslizamento de terra que comprometeu parte da edificação. Ainda de acordo com o município federal, a Defesa Civil já vem monitorando a área desde o final do ano passado, por conta do risco das fortes chuvas que atingiram Minas Gerais para causar um acidente como esta manhã.

Apesar dos danos históricos e culturais, o deslizamento não prejudicou nenhuma pessoa. Como informou o barbeiro Fábio Rogério Alves à Agência Brasil, o trânsito de veículos e pessoas próximas à área atingida foi interrompido pouco antes de parte do talude cair sobre as construções. Alves foi uma das primeiras pessoas a perceber que parte do Morro da Forca viria abaixo e, junto com outras duas pessoas, incluindo uma funcionária da prefeitura, avisou quem passava pelo local.

” Antes dos bombeiros chegarem, pouco antes da queda do morro, já tínhamos isolado a passagem de veículos e pedestres. Como o terminal [de integração localizado a cerca de 300 metros] ainda não estava funcionando, não havia muita gente circulando naquele momento, ” Alves disse. 

De acordo com ele, os dois cashmen atingidos foram abordados e selados há vários anos e não foram usados para serem acessados por ninguém. Dono de uma barbearia da qual se veria o local do deslizamento, Alves disse que já presenciou pelo menos um acidente semelhante, no mesmo lugar, em 2011. “O terreno lá é bastante instável.”

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