Nova técnica do hemocentro de MG reduz transmissão de doenças | Agência Brasil

Uma nova Técnica de Inativação de Patógenos (TRP) implantada pelo hemocentro de Minas Gerais traz mais segurança para a transfusão de sangue no estado. O método, o primeiro no sistema público, inibe agentes infectivos, bactérias, entre outros germes, antes do procedimento. De acordo com a Fundação Hemominas, a técnica é uma resposta a ameaças infecciosas, tendo em vista que pode conter até mesmo microrganismos que surgiram recentemente ou desconhecidos e para os quais não há exames laboratoriais na triagem do sangue doado.imagem03-01-2022-08-01-42

A presidente do Hemominas, Júnia Cioffi, destaca que a fundação já analisou a importância do método que é aplicado em países diversos. “Quando começou a pandemia covid, quando ainda não se sabia que esse vírus não era transmissível pelo sangue, colocamos a importância de ter uma metodologia como essa para evitar ainda mais essas doenças infecciosas”, explica. Ela lembra que o TRP protege plaquetas provenientes de vírus, como “dengue, chikungunya, Zika, influenza H1N1 e qualquer outra”.

O método foi aprovado para uso em toda a Europa, em 2002; nos Estados Unidos, em 2014, e no Canadá, em 2018. É importante, sobretudo, para os pacientes imunosupprimidos, como pessoas em tratamento quimioterapêutico ou que tenham sofrido transplante de medula óssea, uma vez que previne a transmissão de bactérias que podem ser fatais para esse público. De acordo com a Fundação Hemominas, a reação mais comum à transfusão de plaquetas é justamente a transmissão de bactérias.

De acordo com Hemominas, além de melhorar a qualidade do processo de transfusão de hemocomponentes, a inativação dos patógenos também impacta o arreio dos estoques de plaquetas, uma vez que aumenta de cinco para sete dias o prazo de validade desse produto. O custo total de implantação do método foi de cerca de R$ 5 milhões.

” Tem um alto custo de implantação, mas então ele fica muito próximo dos procedimentos que já fazemos manutenção. Nós fazemos a mudança de metodologia, temos alguns testes que não vão ser mais necessários para serem feitos por causa da contaminação bacteriana “, explica a cadeira de Hemominas.

A tecnologia implantada altera os ácidos nucléicos dos microrganismos que podem estar presentes nos componentes do sangue. Esse procedimento faz com que agentes infecciosos parem de se replicar e deixe o hemocomponente mais seguro.

Hemominas destaca que o método tradicional de teste pode escapar pela janela imunológica, que é o período de contaminação de um indivíduo e o início do positivo no teste diagnóstico, seja ele sorológico ou molecular. ” Temos que continuar seguindo a legislação brasileira, mas o que nos impulsionaria são aqueles doadores que são assintomáticos, e que poderiam transmitir, [estão cobertos pela técnica], explica a presidente da fundação.

A inativação de patógenos já está sendo realizada desde 1º de dezembro. “Vamos começar com a região metropolitana e o Hemocentro de Belo Horizonte, que já recebe hemocomponentes de várias cidades onde temos unidades e equivale a aproximadamente 50% do que produzimos”, pontou Júnia.

Ela acrescenta que há um projeto para ampliar esse processo para outras unidades, mas que, atualmente, é possível atender demandas específicas no Estado. “Para os pacientes que têm maior necessidade, como esses transplantes e que fazem tratamento com quimioterapia, mesmo em cidades onde nenhum processo desse tipo ainda está sendo feito, os hospitais podem receber o hemocomponente já inativado porque temos uma logística de estoque de transporte de hemocomponentes em todo estado.”

Doação

Júnia Cioffi segue alertando para a necessidade de recomposição de estoques de sangue nos hemocentros de todo o país. ” A pandemia trouxe uma dificuldade para todos os hemocentros na manutenção dos estoques. Isso aconteceu por causa dos protocolos de distanciamento e da necessidade de maior cuidado na hora de atender os doadores. No momento, nosso estoque [em Minas Gerais], não é muito ruim, mas continuamos precisando de doadores dos grupos Um positivo, O positivo e todos os negativos “, destacou.

O presidente lembra que neste período de Ano Novo o reforço dos estoques é ainda mais importante.

” Infelizmente, sempre vemos mais acidentes em torno desta época, então acabamos usando mais bolsas de sangue. Aproveito para convidar as pessoas a doarem-se em qualquer hemocentro do país, porque todos os estados precisam de doação. “

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