MPMG abre inquérito para investigar tragédia no Capitólio | Agência Brasil

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) anunciou hoje (11) a abertura de um inquérito civil para apurar a conduta do município de Capitólio (MG) na tragédia que levou 10 pessoas à morte. O episódio aconteceu no último sábado (8) após o deslizamento de terra de uma pedra do cânion do Lago de Furnas, uma das principais atrações turísticas da região. imagem12-01-2022-02-01-46imagem12-01-2022-02-01-46

O bloco de pedra despencou em torno de 12h30 no local onde estavam lanchas que transportavam dezenas de turistas. Logo após isso ocorreu, as imagens registradas por quem estavam em embarcações menos afetadas se espalhou pelas redes sociais.

De acordo com o MPMG, será apurado se a prefeitura cumpriu obrigações de identificação, mapeamento e vigilância das áreas de risco. Os procuradores também querem saber se a população estava suficientemente informada sobre os riscos dessas áreas. Será a terceira pesquisa aberta. Outra investigação já está em andamento pela Marinha, responsável por escrutinar a navegação e estabelecer o planejamento da orla nos cursos d água. As responsabilidades serão apuradas ainda pela Polícia Civil, que pretende recorrer ao auxílio de especialistas em geologia.

De acordo com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, todos os mortos estavam em uma única lancha, embora mais um afundou e outros dois também tenham sido fortemente atingidos pelo impacto da rocha no lago. Os vídeos que disseminaram pela internet mostraram o ponto de vista de outras embarcações que, mesmo um pouco mais distantes, foram afetadas pela enxurrada de água que se formou mas conseguiu sair do local. Além dos mortos, pelo menos 24 vítimas precisaram de ajuda em unidades de saúde, algumas com fraturas e escoriações.

Assim como em grande parte do estado de Minas Gerais, um alto volume de chuvas já foi registrado nas últimas semanas no Capitólio, localizado a cerca de 290 quilômetros de Belo Horizonte. Cerca de duas horas antes da tragédia, a Defesa Civil de Minas Gerais chegou a emitir um aviso de cabeça de água (forte enchente em rios desencadeados por chuvas) para a região. Os passeios turísticos, no entanto, foram realizados.

O prefeito da cidade Paulo Sérgio de Oliveira diz que o depressivo de um grande bloco é um evento inédito e que uma lei municipal de 2019 disciplina o turismo no cânion, banindo banhos na área de circulação das lanchas e limitando para 40 o número de embarcações que podem permanecer por até 30 minutos na área. Ontem, um encontro entre as prefeituras do Capitólio e das proximidades de São José da Barra foi realizado para discutir medidas que visam fortalecer a segurança do turismo no Lago de Furnas.

A empresa Furnas Centrais Elétricas, que é controlada pela Eletrobrás, divulgou nota lamentando que ocorreu e informando que ela só usa a água do lago para gerar energia elétrica. “Concorrer ao poder público a gestão dos demais usos múltiplos do reservatório”, sustenta a empresa, referindo-se ao controle das atividades turísticas na região.

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